Summary: Diversos estudos epidemiológicos demostram a associação entre a concentração de partículas na atmosfera e o aumento das taxas de morbidade e mortalidade em humanos, especialmente idosos e crianças (Dockery e Pope 1994; Brunekreef e Holgate 2002; e Kappos et al., 2004). A deposição de metais pesados no ambiente também diminuem as atividades fotossintéticas das plantas, promove a acidificação de solos e lagos e a saturação de nitrogênio (Chu et al., 2008; Dallarosa et al., 2008; Fang et al., 2012). A deposição seca de material particulado ainda pode promover considerável desconforto e estresse psicológico à população, devido ao impacto visual e necessidade de limpeza frequente dos ambientes domésticos e comerciais (Vallack e Shilito, 1998; Farfel et al., 2005; Santos e Reis, 2011).
O material particulado (MP) é caracterizado por partículas sólidas ou líquidas, de tamanho, forma e composição química que varia de acordo com sua fonte de origem e com os processos físicos e químicos de transformação aos quais foram submetidas durante seu transporte na atmosfera (Finlayson-Pitts e Pitts, 1999). Apesar das diferenças em composição química e forma, o MP é classificado, principalmente, por seu diâmetro aerodinâmico, que indica o potencial e o local de deposição da partícula no sistema respiratório humano (Atkinson et al., 2001). Assim, o material particulado é usualmente classificado como: partículas totais em suspensão (PTS), partículas em suspensão na atmosfera com larga faixa granulométrica e capazes de serem amostradas pelo equipamento de medição em uso (tipicamente entre 0,005 μm a 100 μm); partículas inaláveis (MP10), partículas com diâmetro aerodinâmico inferior a 10 μm, capazes de penetrar o sistema respiratório; partículas finas ou partículas respiráveis (MP2,5) que possuem diâmetro aerodinâmico inferior a 2,5 μm e alojam-se no bronquíolo terminal (Holgate et al., 1999); partículas ultrafinas (MP0,1) que possuem diâmetro aerodinâmico inferior a 0,1 μm, cujos efeitos a saúde humana ainda não estão bastante estudados (WHO, 2006); e partículas sedimentadas (PS) que resultam da sedimentação ou deposição das partículas anteriormente em suspensão na atmosfera.
Entretanto, apesar do diâmetro da partícula estar diretamente associado ao local de deposição no trato respiratório, segundo Ghio e Devlin (2001), os efeitos à saúde da população exposta ao material particulado podem estar mais fortemente relacionados aos componentes do MP, sua composição química, do que a massa deste no ambiente.
As propriedades físicas, químicas e óticas do material particulado possuem forte relação com o seu tamanho (Feng et al., 2009). O diâmetro e densidade das partículas, associados às condições meteorológicas, determinam quão longe das fontes de emissão as partículas são transportadas (Neuberger et al., 2004). Quanto maior o diâmetro das partículas mais próximo à fonte ocorre sedimentação. Além disso, o diâmetro, a composição química e o formato das partículas estão associados diretamente ao processo que resultou na emissão dessas partículas, ou seja, cada fonte possui partículas características devido ao seu processo de geração.
O Brasil é um dos maiores produtores de ferro do mundo, com alta atividade industrial tanto na obtenção quanto no processamento do minério de ferro, aço e processos siderúrgicos. A maioria destas atividades emite uma fumaça metálica que pode conter vários metais oriundos tanto do processo produtivo quanto da rocha original. Na busca por diferentes compostos, a maioria das indústrias tem elaborado ligas metálicas com compostos que ainda não tem limite na legislação vigente, como por exemplo, bismuto, titânio, zircônio, tungstênio, ítrio e outros compostos metálicos emergentes. O Complexo de Tubarão, localizado na Grande Vitória, ES, tem reconhecida emissão de material particulado atmosférico contaminado com metais oriundos deste processo, no qual já foram encontrados diversos contaminantes metálicos emergentes. Estes metais são dispersos na atmosfera e podem passivamente entrar em contato com o pulmão humano, via respiração.
A Região da Grande Vitoria (RGV), é uma região litorânea que possui áreas densamente habitadas localizadas próximas a polos industriais e do terceiro maior porto da América Latina, cuja população se mostra constantemente incomodada com a poluição do ar (Machado, 2015). Neste sentido alguns trabalhos desenvolvidos na RGV sobre saúde e poluição já foram realizados, como fez Miranda, por exemplo, em seu trabalho no qual comparou a prevalência de sintomas de asma e rinite em 350 escolares e constatou associação significativa entre prevalência de sintomas de rinite e o local de moradia próximo à área industrial de Vitória (Miranda, 2008). Souza et al (2013) estimaram o efeito da associação entre a exposição a poluentes atmosféricos (PM10, SO2, NO2, O3 e CO) e o número de atendimentos por doenças respiratórios em crianças menores de 6 anos na RGV.
Entretanto, nenhum estudo de longo prazo foi realizado na tentativa de estabelecer quais os efeitos dos poluentes medidos pela Rede de Monitoramento da Qualidade do Ar (RAMQAR) da Região da Grande Vitória e a composição química do MP2.5 no sistema respiratório de crianças residentes na área de abrangência das estações de monitoramento. Nesse sentido, este projeto contribui de forma a permitir estimar o impacto dos poluentes nos números de casos de problemas respiratórios, de função pulmonar e da inflamação das vias respiratórias de crianças de uma região da Grande Vitória. Tal contribuição se caracteriza de forma inédita junto à população da RGV a qual demanda de estudos científicos profundos e detalhados a fim de minimizar os efeitos adversos à saúde causados pela poluição do ar.
O controle da poluição deve iniciar com uma identificação das fontes em potencial na região e a quantificação da real contribuição de cada fonte nas concentrações ambiente. Nem sempre é simples essa quantificação, principalmente em regiões que possuem atividades poluidoras com processos similares. Os modelos receptores são técnicas estatísticas comumente encontradas na literatura para a quantificação de contribuições de fontes poluidoras num dado ponto receptor. Esses modelos utilizam dados de caracterização química (e/ou física) das partículas coletadas no ponto receptor, assim como o conhecimento dos perfis de fontes, composição químicas das partículas na fonte, para a determinação das responsabilidades. Portanto, o continuo aprimoramento de técnicas analíticas que possibilitem melhor entendimento e conjunto de informações a respeito das fontes de poluição se torna imprescindível em estratégias de controle da poluição, como forma de prover aos órgãos ambientais informações que auxiliem na identificação e responsabilização de fontes.

Starting date: 2017-01-01
Deadline (months): 60

Participants:

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Coordinator * Jane Meri Santos
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