EMPREGO DE ANÁLISE DE INCERTEZAS ASSOCIADA AO MODELO CHUVA-VAZÃO SCS PARA ESTIMATIVA DE VAZÕES MÁXIMAS – UM ESTUDO DE CASO PARA A PORÇÃO SUPERIOR DA BACIA HIDROGRÁFICA DO RIO PARDO
Nome: LAYSA MELYSSA MIRANDA RODRIGUES
Data de publicação: 30/03/2026
Banca:
| Nome |
Papel |
|---|---|
| ANTONIO SERGIO FERREIRA MENDONCA | Examinador Interno |
| JOSE ANTONIO TOSTA DOS REIS | Presidente |
| LUANA LAVAGNOLI MOREIRA | Examinador Externo |
Resumo: O estudo das vazões máximas constitui tarefa central para o controle e atenuação de
inundações. Entretanto, observa-se a ausência de dados fluviométricos na maioria
das pequenas bacias hidrográficas do Brasil. Isso faz com que modelos hidrológicos
sejam comumente utilizados para a avaliação de eventos extremos de vazão nessas
regiões. O modelo Soil Conservation Service (SCS) é recorrentemente utilizado
nessas condições, onde a chuva máxima associada a uma região é transformada em
vazão máxima. No entanto, em função das dificuldades associadas à determinação
das variáveis de entrada do modelo, como registros fisiográficos e a caracterização
do regime de chuvas intensas, torna-se importante analisar sua resposta em relação
à propagação de incertezas. Neste contexto, o presente trabalho tem como propósito
incorporar análise de incertezas, conduzida pelo método de Monte Carlo, ao modelo
chuva-vazão SCS, perturbando os parâmetros tempo de concentração (tc), Curve
Number (CN) e intensidade pluviométrica (i) para estimar a vazão máxima para a
porção superior da bacia hidrográfica do rio Pardo. Os resultados demonstram que o
método empregado para se estimar chuvas intensas pode gerar diferenças
significativas nas vazões simuladas. As chuvas intensas estimadas a partir do
emprego do software Plúvio conduziram a vazões máximas substancialmente maiores
que aquelas apropriadas a partir de equações de chuvas intensas conformadas com
auxílio do método de Chow-Gumbel e da plataforma GAM-IDF, que geraram vazões
semelhantes. Cerca de 49% dos valores de vazão estimados com auxílio do método
de Monte Carlo superaram a vazão de 32,0 m3/s, obtida de forma determinística para
a condição II de umidade antecedente do solo e com auxílio da equação de chuvas
intensas estabelecida a partir da plataforma GAM-IDF. Os resultados também
evidenciaram a forte influência das condições de umidade antecedente do solo sobre
as vazões máximas simuladas, independentemente do método utilizado para a
obtenção da equação de chuvas intensas. A magnitude das vazões máximas aumenta
em duas ordens de grandeza na condição III (solo saturado) em relação à condição I
(solo seco), passando de aproximadamente 2 m3/s para 127 m3/s. O aumento do
número de simulações, por sua vez, não influenciou de maneira relevante a
distribuição das vazões máximas estimadas. A integração da análise de incertezas ao
modelo chuva-vazão SCS evidenciou que variações significativas podem ocorrer nas estimativas das vazões máximas, ressaltando a importância de se incorporar a análise de incertezas à modelagem hidrológica.
